É um jornal semanal satírico francês. Foi a 'escola' dos mais importantes cartunistas franceses (Cabu, Cavanna, Reiser, Willem, Wolinski). A publicação satiriza o conservadorismo católico, a extrema-direita,  Partido Comunista Francês,  a hierarquia judaica e o fundamentalismo islâmico.  As caricaturas e ilustrações do Charlie beiram o burlesco, escárnio e o obsceno. Foi a revista Hara-Kiri, fundada nos anos 60, que deu origem ao semanário Charlie, representando longa tradição do jornalismo francês. Essa tradição remonta ao século XVIII, quando as sátiras tinham como foco a família real.  

ANOS 70...

Charlie Hebdo é um soco na cara ....


Contra aqueles que tentam com que a gente pare de pensar.

Contra aqueles que temem a imaginação.


Charlie Hebdo é uma revista com raiva.

É um soco. É um jornal que pensa.

É um jornal do grotesco,  porque é isso que grande parte da vida e da política é.

Não tem nada a perder em vida após a morte pela simples razão de que não há vida após a morte.

Charlie Hebdo não tem necessidade de Deus, nem qualquer necessidade de Wall Street. 

Charlie não precisa de dois carros e três telefones celulares para ser feliz.

Para ser feliz, Charlie Hebdo desenha, escreve, entrevista, pondera e ri de tudo nesta terra que é ridícula.


ATAQUE TERROSTISTA

No dia 7 de janeiro de 2015, homens armados invadiram o a redação do Charlie Hebdo, em Paris, e mataram 12 pessoas. Eles queriam se vingar dos autores de charges que faziam piadas com o profeta Maomé.

PELO DIREITO DA CRÍTICA

"Nós nos sentimos meio sozinhos, porque lutamos pelo direito de que todos possam fazer crítica como a nossa, mas continuamos sendo os únicos. Não há razão para isso. Quando se deixa de exercer um direito de liberdade, a tendência é perdê-lo. Numa democracia tem de ser possível criticar a própria existência de Deus" 


Laurent Sourisseau, o Riss, diretor de redação do Charlie Hebdo, em palestra no 10 Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji, em São Paulo, em julho de 2015, sete meses após o ataque jihadista à redação do semanário, que deixou 12 mortos.  (http://bit.ly/2cRPEB2)


LIBERDADE DE EXPRESSÃO NA FRANÇA

A mídia é regulada pela Autorité de Régulation des Communications Electroniques et des Postes, que garante "a liberdade de expressão e a livre circulação de jornais, sem regulação governamental". O mesmo vale para a internet. 


A palavra “Liberdade” é  respeitada. Não existe legislação que venha a regular/censurar a imprensa. No caso alguém se sentir ofendido, cabe a ele recorrer ao poder judiciário para requerer seus direitos. O Estado não interfere no jornalismo francês.



LIBERDADE DE EXPRESSÃO NO BRASIL

O direito à liberdade de expressão é garantido pela Constituição de 1988 em dois artigos: o art. 5º e o art. 220. O primeiro assegura, em seus incisos IV, IX, XIV, respectivamente, que é “livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato”, "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" e “é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional”. 


Por sua vez, o art. 220 afirma que “a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição”, aditando, ainda, em seus parágrafos 1º e 2º que “nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social”, e que “é vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística”.



PELA LIBERDADE DE IMPRENSA

 "Em todo e qualquer caso, o princípio a ser defendido é 

(deve ser) a ampla liberdade de imprensa, que paira acima de considerações a propósito das linhas editoriais. Princípio que protege, na França, com os mesmos direitos políticos, o direitismo do Le Nouvel Observateur e o cáustico Charlie. Não cabem limites na defesa da livre expressão, e ela exige a compreensão do contraditório, ou seja, assegurar a palavra daquele que discorda. Como aliás, defendia Voltaire".


Roberto Amaral, cientista político,  em artigo publicado na revista Carta Capital,
uma semana após o atentado

CONTRA A CENSURA

 "É essencial defender a liberdade de expressão, coibindo qualquer tipo de censura, até porque para censurar seria preciso criar arbítrios para separar o 'certo' do 'errado', o 'bem' do 'mal', e isso nos remeteria ao mundo medieval, ao obscurantismo e aos regimes ditatoriais. 

Já disse e repito, não tenho medo do grito; tenho medo do silêncio. Não tenho medo da discordância; tenho medo da mordaça e da ignorância".

Jorge Luiz Souto Maior, jurista e professor da USP, em artigo publicado no site Migalhas  

"Não se pode tentar, minimamente que seja, justificar o morticínio com argumentos de que os cartunistas excederam os limites da liberdade de expressão, estando fora da análise se eram, ou não, de bom gosto as charges que faziam. Ora, se para se contrapor a uma ideia,  o considerado ofendido se vê no direito de matar o ofensor, extingue-se a possibilidade do choque de ideias e decreta-se o fim da produção do conhecimento."


Jorge Luiz Souto Maior, jurista e professor da USP, em artigo publicado no site Migalhas  

CHOQUE DE IDEIAS

ESTADO DEMOCRÁTICO

Um dos feitos mais relevantes de um Estado que se diz democrático é a magnitude concedida à liberdade de expressão e de informação.  


"A liberdade de expressão emana, diretamente, da dignidade da pessoa humana e se caracteriza como importante elemento para formação e aprimoramento da democracia. É um fator relevante da construção e do resguardo da democracia, cujo pressuposto indispensável é o pluralismo ideológico" 


Cezar Peluso, jurista e ex-ministro do STF, no julgamento da ADPF 187, em que libera a Marcha da Maconha

PÉSSIMO EXEMPLO

É bom lembrar que a imprensa de países ditos pouco democráticos, como Rússia, China e Malásia, foram os únicos a criticar os que defendiam o Charlie Hebdo.

CRÍTICAS ÀS RELIGIÕES

A liberdade é essencial para se criticar as religiões como forma de evolução da sociedade.


“Castigat ridendo mores” 

(Costumes são corrigidos rindo-se deles). 


Desenhos como Family Guy, American Dad e os Simpsons fazem piadas com religiões.

CIVILIZAÇÃO X BARBÁRIE


Je suis Charlie é um debate entre a civilização e a barbárie. 


Je suis Charlie é o direito de, caso você ultrapasse os limites da civilidade, você seja julgado dentro dela. 


Je Suis Charlie é um debate sobre um termo inegociável: o Estado de direito, o monopólio da justiça e do direito a punição que pertence ao Estado e que nos faz civilizados. 

CONCLUSÃO

"Posso não concordar com o que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo". 

Voltaire, filósofo francês 

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#JeSuisCharlie

by vitorsm

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Public - 9/8/16, 3:55 PM